Quem sou eu
- Sirley Clécio
- Oliveira, Minas Gerais, Brazil
- Economista, formado na Universidade Federal de São João Del-Rei - UFSJ
O futuro de Minas começa com a sua opinião!
REFORMA DA ESCOLA WALFRIDO
12/05/2026
Foi assinado o convênio entre o
Governo de Minas e a Prefeitura de Oliveira para a reforma da Escola Municipal
Walfrido Silvino dos Mares Guia, por meio do Programa de Fortalecimento das
Escolas Municipais. O acordo prevê o repasse de R$ 400 mil, com contrapartida
da Prefeitura no valor de R$ 73 mil, e prazo de execução das obras de até 24
meses.
A escola, inaugurada no fim da
década de 1990, atualmente oferece ensino fundamental do 6º ao 9º ano e atende
mais de 200 alunos. O investimento representa um importante avanço para a
melhoria da estrutura educacional do município e para a valorização da educação
pública.
CONGRESSO E LEGISLAÇÃO PENAL
As constantes mudanças na
legislação penal promovidas pelo Congresso Nacional acabam transmitindo uma
imagem negativa para a sociedade. Em um país onde já existem inúmeras brechas
legais e mecanismos que favorecem a redução de penas, cresce a percepção de que
a lei não possui o mesmo peso para todos.
Em 2025, foi aprovada a alteração
da Lei da Ficha Limpa, reduzindo o período de inelegibilidade. No ano anterior,
por pouco não avançou a chamada “PEC da Blindagem”, que previa a necessidade de
autorização do Congresso para investigar parlamentares e dirigentes
partidários. Agora, a chamada Lei da Dosimetria também é alvo de críticas por
abrir novas possibilidades de flexibilização das punições.
Enquanto grande parte da
população defende leis mais rígidas e maior combate à impunidade, muitos
projetos debatidos em Brasília seguem na direção oposta, aumentando o
distanciamento entre o sentimento popular e as decisões políticas.
ELEIÇÕES EM MINAS
Faltando menos de cinco meses
para as eleições, o cenário político em Minas Gerais ainda permanece indefinido
quanto aos principais candidatos ao Governo do Estado. Liderando pesquisas de
intenção de voto, o senador Cleitinho ainda não confirmou oficialmente sua
candidatura. O mesmo acontece com o senador Rodrigo Pacheco, que prefere adiar
uma definição para mais próximo das convenções partidárias.
O PL, partido do ex-presidente
Jair Bolsonaro, também segue indefinido sobre qual caminho adotará: apoiar
Cleitinho, lançar candidatura própria ou compor com o atual governador Mateus
Simões. Já o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e o ex-vereador
Gabriel Azevedo confirmaram suas pré-candidaturas e buscam viabilizar alianças
políticas.
Governar Minas Gerais,
entretanto, não é uma tarefa simples. Com uma dívida pública superior a R$ 200
bilhões, o cargo de governador se tornou um grande desafio administrativo e
político, capaz de gerar desgaste significativo na trajetória de qualquer
liderança. Um exemplo citado por analistas é o governador Romeu Zema, que,
mesmo após sete anos à frente do Estado, ainda enfrenta dificuldades para
consolidar seu projeto nacional.
Pesquisa recente divulgada pelo
Meio/Ideia revelou que cerca de 30% dos brasileiros já realizaram apostas em
plataformas conhecidas como “bets”. O levantamento também aponta que 59% dos
entrevistados acreditam que essas apostas contribuem para o endividamento das
famílias brasileiras, enquanto 44% defendem algum tipo de restrição aos jogos.
As apostas esportivas se
transformaram em um problema social e econômico cada vez mais evidente. Além de
contribuírem para o aumento das dívidas familiares, também têm provocado
dependência em parte da população e impactado diretamente políticas públicas de
transferência de renda, já que muitos beneficiários acabam utilizando recursos
essenciais em jogos de azar.
Outro impacto preocupante está na
economia. Recursos que antes eram destinados ao consumo, movimentando o
comércio e a indústria, agora acabam direcionados às plataformas de apostas,
reduzindo a circulação de dinheiro na economia real. Diante desse cenário,
cresce a pressão para que o poder público adote medidas de regulamentação e
controle mais rigorosas.
CREDIBILIDADE DAS INSTITUIÇÕES
A recente polêmica envolvendo a
suspensão de alguns produtos de limpeza da marca Ypê pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) revelou um problema ainda maior: a transformação
de questões técnicas em disputas políticas e narrativas ideológicas.
Quando a desinformação passa a
dominar o debate público, cria-se um ambiente de descrédito generalizado das
instituições. E quando ninguém mais é considerado confiável, instala-se a
sensação de que também não existem responsáveis. O resultado é o aumento da
instabilidade, da insegurança e da perda de confiança da população.
Esse cenário fragiliza não apenas
reputações, mas também o próprio funcionamento do Estado. Instituições
desacreditadas abrem espaço para o crescimento da impunidade e dificultam o combate
à corrupção, comprometendo a credibilidade necessária para o fortalecimento da
democracia.
TEATRO MUNICIPAL
A ausência de um centro de
convenções ou de um espaço público adequado para apresentações culturais é um
dos principais obstáculos para o fortalecimento da cultura em nossa cidade. A
construção do Teatro Municipal sempre foi uma das bandeiras defendidas pelo
então deputado federal e senador Eliseu Resende, que, durante seus mandatos,
trabalhou para garantir recursos e incluir a obra no orçamento da União.
Após seu falecimento, o projeto
acabou perdendo ritmo e as obras praticamente ficaram paralisadas. Agora, surge
uma nova expectativa de retomada. A Prefeitura contratou recentemente a
elaboração de um projeto arquitetônico de requalificação estética, adaptações
funcionais e produção de relatórios técnicos especializados para adequação e
valorização da estrutura.
Que este seja o recomeço de um
projeto tão importante para Oliveira e que, em um futuro próximo, a cidade
possa finalmente contar com um espaço cultural à altura de sua história e de
sua população.
SINAL AMARELO
06/04/2026
A criação de novos cargos e os reajustes
promovidos pela Prefeitura acenderam o sinal de alerta na Administração
Municipal, uma vez que o índice de gastos com pessoal ultrapassou o limite de
alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal, fixado em 48,6%, alcançando 49,98%.
Diante disso, o Executivo regulamentou a extensão da carga horária dos
servidores e a realização de horas extras, que passarão a ocorrer apenas em
caráter excepcional, sem a incidência de adicionais ou gratificações. Também
ficou vedado o recebimento cumulativo de horas extras e gratificações de função
enquanto perdurar a extensão de jornada.
Com o percentual já próximo do limite máximo
permitido, de 54% da Receita Corrente Líquida, surge a dúvida: o Executivo
conseguirá implantar ainda neste ano o novo plano de cargos e salários,
atualmente em elaboração? Para isso, será necessário ampliar a arrecadação, o
que depende, entre outros fatores, do pagamento do IPTU e da manutenção dos
repasses do Fundo de Participação dos Municípios, que podem ser impactados pela
redução do ICMS, adotada para conter os preços dos combustíveis.
CPMI DO INSS
A CPMI do INSS chegou ao fim no final de março e, após intensas discussões, não
conseguiu aprovar seu relatório final. A base governista alegou que o texto
tinha viés eleitoral e não apresentava nomes de investigados, elaborando um
relatório paralelo que sequer foi votado. Já a oposição atribuiu à base a
responsabilidade pela rejeição.
Na prática, a comissão acabou sendo mais uma face da mesma moeda, marcada por
discursos e espetáculos, sem resultados concretos. O desfecho foi o de sempre:
uma “grande pizza”, cuja conta recai sobre toda a sociedade, reforçando a
sensação de que a verdade e a impunidade, mais uma vez, prevaleceram.
TROCAS PARTIDÁRIAS
Encerrou-se no último dia 4 o prazo de filiação partidária para aqueles que
desejam disputar as eleições deste ano. O que se viu em todo o país foi uma
corrida em busca de melhores condições eleitorais, deixando a ideologia em
segundo plano.
Com isso, quem perde é o eleitor. As legendas deixam de priorizar projetos de
desenvolvimento para o país e passam a agir conforme interesses imediatos,
muitas vezes financeiros, visando ampliar bancadas no Congresso, aumentar o
acesso ao fundo eleitoral, que se aproxima de R$ 5 bilhões, e negociar apoios,
independentemente de quem esteja no poder.
Este é um dos grandes desafios da democracia
brasileira: construir partidos fortes, com identidade programática e
compromisso real com o futuro do país, e não apenas com a manutenção do poder.
ILUMINAÇÃO PÚBLICA
Têm aumentado as reclamações sobre a iluminação pública no município,
especialmente quanto à demora na substituição de lâmpadas queimadas. Esse era
um problema recorrente até a gestão passada, quando houve a substituição por
lâmpadas de LED.
Agora, com o fim da vida útil de parte desses equipamentos, o problema volta a
surgir. Há relatos de moradores que aguardam mais de 20 dias pela manutenção. É
fundamental que a administração municipal esteja atenta, pois a demanda por
reparos tende a crescer. Esperar quase um mês por manutenção não é aceitável,
sobretudo porque iluminação pública está diretamente ligada à segurança da
população.
MORADIA
A Campanha da Fraternidade deste ano chama a atenção para a questão da moradia.
Atualmente, o déficit habitacional no país atinge cerca de 8% da população,
enquanto aproximadamente 20% dos brasileiros vivem em condições consideradas
precárias.
Mesmo com políticas públicas voltadas ao setor, os números ainda são elevados.
A falta de moradia digna é porta de entrada para evitar uma série de outros
problemas, como saúde, bem-estar e segurança alimentar.
Engana-se quem pensa que essa é uma realidade
exclusiva de países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos, maior potência
econômica do mundo, cerca de 10% da população também vive em condições
precárias. A diferença, no entanto, está no cumprimento das legislações
urbanísticas, que reduzem a presença de moradias em áreas de risco.
Fica a reflexão: em pleno 2026, ainda convivemos com um elevado número de
pessoas sem acesso a uma moradia digna, enquanto bilhões são gastos em guerras.
Isso evidencia que, mais do que recursos, falta prioridade política. Que a
Campanha da Fraternidade seja um ponto de partida para reflexão e ação diante
desse grave problema.
SEMANA SANTA
As celebrações da Semana Santa em nossa cidade são uma tradição que atravessa
gerações, preservando sua essência e encantando fiéis e visitantes, em um
marcante momento de fé e devoção.
No entanto, um problema recorrente tem
prejudicado as procissões: veículos estacionados nas vias por onde passam os
cortejos. Mesmo com os apelos dos órgãos responsáveis, solicitando a
colaboração dos motoristas, a situação persiste em diversos pontos.
Diante disso, é necessário que o poder público adote medidas mais efetivas,
como a regulamentação por decreto proibindo o estacionamento nesses locais
durante as celebrações, conferindo à Olitrans maior autonomia para agir e
evitar transtornos.
CPI DO CAPS
02/03/2026
Depois de quase dois anos das denúncias feitas na tribuna da Câmara pela enfermeira Kátia Gonçalves dos Santos, referentes ao funcionamento do CAPS AD III “Joaquim Agrestes”, que apontavam supostas irregularidades na prestação de serviços de saúde mental e perseguição a servidores, a Comissão Processante concluiu que as denúncias foram inconclusivas.
Segundo o relatório final, foram
identificadas apenas algumas irregularidades de cunho administrativo,
consideradas insuficientes para comprovar perseguição a servidores ou a
existência de falhas graves na prestação de serviços do CAPS durante a gestão
2021-2024. O requerimento que aprovou o relatório final foi aprovado em
plenário por unanimidade, com encaminhamento ao Executivo Municipal, a fim de
que sejam adotadas providências para atender às necessidades atuais da unidade.
Fizeram parte da Comissão
Processante os vereadores Prico, Ronaldo, Siri, Kilin e Walquir Maravilha.
CARNAVAL
A realização do Carnaval em nossa
cidade manteve sua essência e agradou à maioria dos participantes. No entanto,
algumas sugestões são necessárias para aprimorar ainda mais o evento.
Uma delas é a instalação de um
palco ou de uma sonorização alternativa nas proximidades da Escola Francisco
Fernandes, local que concentra grande número de foliões. Outro ponto que
precisa ser revisto é a inclusão dos eventos realizados pelo Oliveira Clube na
programação oficial, incluindo o tradicional Batuque do Zé, que merece apoio
institucional e espaço na agenda oficial do município.
Também não pode faltar o
incentivo aos blocos locais, pois o que sustenta o Carnaval de Oliveira é o
protagonismo dos oliveirenses, que fazem a festa acontecer.
FEMINICÍDIO
Os casos de feminicídio têm
aumentado consideravelmente em todo o país. Em 2025, foram registradas, em
média, quatro mortes por dia. Embora o crime seja considerado hediondo e
existam medidas protetivas previstas em lei, a legislação não tem produzido o
efeito desejado. muitas vezes em razão da ineficiência do Estado ou de brechas
legais.
Um caso que evidencia essa
realidade foi o da estudante de Psicologia Vanessa Lara, em Juatuba, ocorrido
no mês passado. Ela foi assassinada por um indivíduo que já havia sido
condenado a 38 anos de prisão por crimes graves, mas que, em dezembro, foi
autorizado a cumprir pena em regime semiaberto.
Já passou da hora de se discutir
uma revisão ampla do Código Penal, com o objetivo de reduzir brechas e reavaliar
mecanismos que permitem o cumprimento parcial das penas em casos de extrema
gravidade. Se o Brasil almeja ser um país sério e comprometido com a proteção
da população, é fundamental que as decisões judiciais sejam efetivamente
cumpridas.
LEI ANTIFACÇÃO
Foi aprovada pelo Congresso
Nacional a chamada Lei Antifacção, que estabelece penas mais rigorosas no
combate ao crime organizado. Trata-se de um avanço importante no enfrentamento
das organizações criminosas.
No entanto, um dos dispositivos
que previa a destinação de impostos arrecadados das empresas de apostas, as
chamadas “bets”, ao Fundo Nacional de Segurança Pública foi rejeitado pela
Câmara dos Deputados. Com isso, deixou-se de garantir uma fonte adicional de
recursos para o fortalecimento dos órgãos de segurança.
Se por um lado houve avanço ao
endurecer a legislação, por outro houve retrocesso ao não assegurar novos
recursos para o financiamento da segurança pública. É preciso que o Congresso
esteja cada vez mais atento às reais demandas da sociedade.
DESASTRES AMBIENTAIS
As fortes chuvas que vêm afetando
a Zona da Mata mineira, especialmente municípios como Juiz de Fora e Ubá,
provocando mortes e grande destruição, são consequência de diversos fatores.
Entre eles, problemas históricos, como a ausência de políticas públicas
adequadas de moradia e planejamento urbano.
Também não se pode ignorar os
impactos das mudanças climáticas, que têm alterado padrões meteorológicos em
várias partes do planeta, concentrando chuvas mais intensas em determinadas
regiões.
Estudo divulgado em 2024 pelo
Governo Federal apontou que 1.942 municípios brasileiros são suscetíveis a
desastres associados a deslizamentos de terra, alagamentos, enxurradas e inundações,
o que representa quase 35% do total de municípios do país. Oliveira é citada no
relatório com risco de enxurradas e inundações.
Apesar do alerta, pouco se
observa em termos de ações preventivas efetivas. O estudo é importante porque
orienta políticas públicas, mas é indispensável que haja medidas concretas,
envolvendo os três entes federativos, para reduzir riscos e evitar novas
tragédias.
DISTANCIAMENTO POLÍTICO
03/02/2026
Na inauguração da creche do bairro São Sebastião,
chamou a atenção o distanciamento entre o grupo político do prefeito Dr. Erik e
o grupo político do deputado estadual Lucas Lasmar. A creche, que leva o nome
da avó do parlamentar, não contou com a presença de familiares durante a
solenidade e, na divulgação oficial da Prefeitura, o nome da homenageada sequer
foi citado, limitando-se apenas à identificação na placa inaugural. Esse
episódio evidencia o grau de divisão política no âmbito municipal, que parece incapaz
de superar diferenças mesmo em atos institucionais.
CORRUPÇÃO
Os recentes escândalos envolvendo o Banco Master e
os descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS demonstram como a
corrupção segue presente em diversos setores da administração pública. E, neste
caso, não se trata de partido A ou B. As evidências apontam para o envolvimento
de diferentes correntes ideológicas, alcançando inclusive setores do Judiciário
e denominações religiosas. Fica evidente a falta de interesse em aprofundar as
investigações, possivelmente para preservar todos os envolvidos. No fim das
contas, quem paga a conta é a sociedade brasileira. Exceção feita à Polícia
Federal, que vem cumprindo seu papel institucional.
USINA DE RECICLAGEM
Foi publicado no Diário Oficial da União de
07/01/2026 o termo de compromisso firmado entre o Ministério das Cidades e a
Prefeitura de Oliveira para a construção de uma usina de tratamento
mecânico-biológico de resíduos sólidos. O valor total do empreendimento é de R$
13.214.985,00, a ser liberado conforme a execução das obras, cujo prazo de
conclusão é de 48 meses. Nesta fase inicial, está prevista a liberação de R$
654.456,00. A contrapartida da Prefeitura será de R$ 629.285,00, podendo ser
quitada também em bens e serviços. A usina será implantada às margens da BR-494
e, após concluída, poderá resolver de forma definitiva a destinação dos
resíduos sólidos do município, por meio de um sistema integrado de gestão que
combina triagem automatizada e processos de decomposição, como compostagem ou
biodigestão.
TRUMP x MADURO
Não restam dúvidas de que o presidente da Venezuela
deveria ser destituído, já que sua permanência no poder se deu por meio de atos
antidemocráticos e sob fortes suspeitas de fraudes eleitorais. No entanto, a
atuação do presidente norte-americano Donald Trump está longe de solucionar os
problemas do país vizinho. Até o momento, não há qualquer sinalização concreta
de novas eleições, permanecendo nos cargos de governo antigos aliados do
ditador Nicolás Maduro. Isso leva à percepção de que Maduro pode ter sido
utilizado como “bode expiatório”, atendendo mais a interesses econômicos dos
Estados Unidos do que à restauração da democracia. Resta a dúvida se, de fato,
a população venezuelana será beneficiada e se a democracia será plenamente
restabelecida.
OS DONOS DO PODER
Enquanto parte da população brasileira se divide na
defesa de suas posições políticas às vésperas das eleições deste ano, ao menos
dois nomes parecem pouco preocupados com quem será eleito, seja da esquerda ou
da direita. Atuando nos bastidores, controlam parte significativa das decisões
políticas e dos volumosos recursos dos fundos partidários: Gilberto Kassab,
presidente do PSD, e Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Ambos devem
eleger um grande número de deputados e senadores, fortalecendo financeiramente
suas legendas e influenciando as principais decisões do país. Isso evidencia
uma fragilidade histórica: o Brasil não possui partidos políticos fortes, mas
sim legendas voltadas a interesses momentâneos.
DIFICULDADES NO LEGISLATIVO
A primeira impressão da reunião da Câmara Municipal
de Oliveira, após o recesso legislativo, é que o prefeito Dr. Erik terá
dificuldades para manter sua base de sustentação. Chamou a atenção o discurso
do vereador Gilmarzinho, que defendeu uma reforma administrativa, chegando
inclusive a citar nomes que deveriam ser substituídos no primeiro escalão. Em
outro momento, o vereador Cleyton anunciou sua saída da base governista,
adotando uma postura independente. Ficam algumas perguntas: o que motivou essas
mudanças? Falta de articulação política? Desgaste do Executivo após o primeiro
ano de governo? O distanciamento do vice-prefeito, responsável pela articulação
com o Legislativo? O fato é que, sem uma base sólida, o governo municipal corre
o risco de se tornar um “pato manco”, com perda de força política, dificuldades
na aprovação de projetos e comprometimento da governabilidade.
FIM DO ROTATIVO
01/01/2026
Desde o início de dezembro, a Prefeitura Municipal de Oliveira, por meio do Decreto nº 5.175, rescindiu a concessão do estacionamento rotativo com a empresa Via Mais Parking, contrato que havia sido firmado em 2019. Desde a sua implantação, a cobrança pelo uso de vagas em vias públicas sempre gerou muitas reclamações por parte da população.
No início das operações, o excesso de locais
sujeitos à cobrança foi alvo de inúmeras queixas, o que levou à redução do
número de vagas. Outras reclamações frequentes diziam respeito ao baixo número
de funcionários para efetuar a cobrança, gerando transtornos aos usuários, além
de falhas constantes no aplicativo, que muitas vezes não funcionava, e da não
aceitação de pagamento via Pix.
Ao justificar a rescisão do contrato, a Prefeitura
alegou que a empresa não vinha cumprindo diversos itens previstos no acordo,
mesmo após notificações formais. Até o momento, não foi publicado novo processo
licitatório para a contratação de outra empresa, nem há informações se o
serviço será suspenso de forma definitiva.
CHINELOS E IDEOLOGIAS
Enquanto boa parte da população é levada a discutir
se é contra ou a favor do comercial dos chinelos Havaianas, que gerou polêmica
ao trazer uma narrativa associando esquerda e direita, temas realmente
relevantes acabam ficando em segundo plano, trazendo consequências diretas para
o dia a dia da população.
Cito, por exemplo, as leis orçamentárias
recém-aprovadas, que impactam diretamente a execução do orçamento público de
2026. No caso do orçamento federal, o montante previsto para emendas
parlamentares ultrapassa os R$ 61 bilhões, recursos que, em sua maioria,
atendem a interesses de deputados e senadores, muitas vezes sem critérios
técnicos, o que gera desperdício de dinheiro público e abre margem para desvios
e corrupção.
Já no orçamento aprovado pela Assembleia
Legislativa de Minas Gerais, chama atenção o valor das renúncias fiscais,
estimado em R$ 25 bilhões. Para um Estado que possui uma dívida próxima de R$
200 bilhões, abrir mão de cerca de 20% da arrecadação significa menos
investimentos em áreas essenciais, como segurança pública, infraestrutura
rodoviária e educação.
Enquanto os chinelos dominam a narrativa, nossos
representantes seguem “dando suas chineladas na população”, demonstrando total
falta de compromisso com o interesse público e com o futuro do país.
TAXAS E O IPTU
A forma como a Prefeitura Municipal de Oliveira
divulgou e iniciou a cobrança da taxa por acréscimo de área dos imóveis foi
pouco esclarecedora e tem gerado inúmeras dúvidas e reclamações. Sem explicar
adequadamente os motivos da cobrança e a fórmula utilizada para o cálculo, a
administração já lançou os valores com vencimento para o dia 16 de janeiro, pegando
muitos contribuintes de surpresa.
Outro ponto que carece de esclarecimentos mais
detalhados diz respeito ao teor das notificações, nas quais consta que os
proprietários que não concordarem com os valores e não fizerem a contestação ou
o pagamento poderão ser cobrados judicialmente.
Após diversas reclamações, a Prefeitura publicou
esclarecimentos em publicidade institucional neste semanário, inclusive
prometendo o lançamento de uma plataforma digital, na qual o proprietário
poderá consultar os dados do imóvel e acompanhar as informações levantadas.
Para reduzir as polêmicas e evitar interpretações
divergentes, o mais prudente seria a publicação de um novo edital oficial,
incorporando de forma clara todos esses esclarecimentos. Caso contrário,
permanecerá a dubiedade entre o edital formal e o anúncio institucional.
Em relação ao IPTU deste ano, além da inclusão das
novas metragens, haverá também a atualização da Planta de Valores Genéricos,
com reajustes que variam de 25% a 50%. De acordo com o decreto publicado no
Diário Oficial em 29 de dezembro, a cidade foi dividida em nove zonas,
identificadas por cores. Na área Amarela, por exemplo, o valor do metro
quadrado passa de R$ 18,02 para R$ 27,03, um reajuste de 50%. Já na área
Laranja, o valor sobe de R$ 303,01 para R$ 378,76, um aumento de 25%.
Os estudos foram realizados pelo Instituto de
Gestão Territorial e Geotecnologias (IGETECH), contratado pela Prefeitura
Municipal em meados de 2025. Até o momento, ainda não foram divulgadas as datas
para o pagamento do IPTU deste ano.
CORREIOS
Os Correios vêm acumulando sucessivos prejuízos ao
longo dos anos. Somente em 2025, o déficit já ultrapassa os R$ 10 bilhões.
Entre os principais motivos estão a ingerência política, com a ocupação de
cargos estratégicos por aliados do governo, muitas vezes sem compromisso com
uma gestão eficiente, além das mudanças estruturais no setor, marcadas pelo
aumento da concorrência após a abertura do mercado ao setor privado.
Atualmente, os Correios estão presentes em todos os
municípios brasileiros e em diversos distritos, cobrindo praticamente 100% do
território nacional, com mais de 10 mil unidades de atendimento e cerca de 80
mil colaboradores.
Há quem defenda a privatização da empresa, mas essa
medida pode trazer sérios prejuízos à integração nacional. Apenas cerca de 20%
das agências operam com lucro, e uma privatização tenderia a fechar unidades
deficitárias, eliminando o atendimento em regiões mais distantes e aprofundando
as desigualdades regionais.
Uma alternativa viável seria a reestruturação da
empresa, permitindo, por exemplo, a ampliação da oferta de serviços bancários
pelos Correios. Com o fechamento de diversas agências de bancos privados, os
Correios poderiam assumir esse papel, garantindo atendimento presencial em
todos os municípios, cumprindo sua função social e, ao mesmo tempo, aumentando
e diversificando suas receitas.
EUA X VENEZUELA
Engana-se quem acredita no discurso do presidente
norte-americano Donald Trump de que as ofensivas contra a Venezuela têm como
objetivo combater o narcotráfico ou restabelecer a democracia no país
sul-americano. Na prática, esses argumentos funcionam como uma cortina de
fumaça para encobrir o verdadeiro interesse: o petróleo venezuelano.
A Venezuela possui uma das maiores reservas de
petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, o que corresponde a
cerca de 17% das reservas globais. Esse volume desperta grande interesse dos
Estados Unidos.
Nas últimas semanas, o governo norte-americano tem
intensificado ações de interceptação de navios venezuelanos, dificultando as
exportações do país. A estratégia visa enfraquecer a economia venezuelana e,
consequentemente, o governo de Nicolás Maduro. Em um cenário de mudança de
governo, com um nome alinhado aos interesses dos EUA, a intenção seria
direcionar a comercialização do petróleo para o mercado norte-americano,
fortalecendo sua economia e enfraquecendo a China, que atualmente compra cerca
de 4% do petróleo venezuelano.
SEGURANÇA PÚBLICA
Infelizmente, o Congresso Nacional demonstra pouco
interesse em promover mudanças efetivas na legislação relacionada à segurança
pública, hoje uma das maiores preocupações da população brasileira.
Após a maior operação policial já realizada no
estado do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que resultou em 121 mortes,
ganhou destaque na imprensa a proposta de criação do Projeto de Lei
Antifacções, apresentada pelo Governo Federal. A proposta gerou grande polêmica
durante sua tramitação na Câmara dos Deputados, especialmente por conter
dispositivos que, segundo críticos, poderiam dificultar a atuação da Polícia
Federal no combate ao crime organizado.
Depois da apresentação de seis relatórios, o
projeto foi aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado. No entanto, o Senado
encerrou as atividades legislativas de 2025 sem concluir a votação final,
deixando a decisão para 2026.
Enquanto os parlamentares seguem nesse vai e vem,
sem conseguir construir um consenso em torno de um projeto eficiente de
segurança pública, o crime organizado continua se fortalecendo, consolidando um
verdadeiro Estado paralelo, enquanto a população brasileira vive sob a sensação
permanente do “salve-se quem puder”.
ELEIÇÕES 2026
01/12/2025
O próximo ano será marcado pelas eleições gerais no país, quando serão escolhidos Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados. No cenário federal, tudo indica que a polarização será mantida, com o presidente Lula (PT) enfrentando um nome ainda indefinido da oposição. A ausência desse nome tem gerado dificuldades de articulação dentro da direita e da extrema-direita.
Com a conclusão do julgamento do ex-presidente Jair
Bolsonaro, cresce a especulação de que o governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas (Republicanos), possa assumir a liderança desse campo. No entanto, a
escolha do vice deve gerar nova disputa interna, envolvendo nomes como Michelle
Bolsonaro, o governador do Paraná, Ratinho Junior, o governador de Minas, Romeu
Zema, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
E EM
MINAS
A disputa pelo Governo de Minas segue indefinida. Liderando as pesquisas recentes aparece o senador Cleitinho (Republicanos). Contudo, sua candidatura ainda não está consolidada e há dúvidas dentro do próprio partido, especialmente após o envolvimento do presidente da legenda em escândalos ligados ao INSS, o que pode comprometer o apoio à sua eventual campanha.
Do lado governista, a candidatura mais provável é a
do atual vice-governador Mateus Simões, que deixou o partido Novo e se filiou
ao PSD, buscando ampliar alianças com siglas do chamado centrão. Já no campo da
esquerda, um nome do PT tem poucas chances devido ao desgaste da gestão
Pimentel, ainda vivo na memória dos mineiros, restando como alternativa uma
composição com o PDT, que recentemente filiou o ex-prefeito de Belo Horizonte,
Alexandre Kalil.
A incógnita recai sobre os partidos de centro, onde
ao menos três nomes surgem com potencial para construir alianças mais amplas: o
presidente da Assembleia Legislativa, Tadeuzinho (MDB), o senador Rodrigo
Pacheco e o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB).
O cenário ficará realmente mais claro após o prazo
final de filiações partidárias, em abril de 2026, quando será possível
identificar com precisão quem disputará o Palácio Tiradentes.
VIOLÊNCIA
O aumento da violência, tanto em nossa cidade
quanto em todo o país, tem entre seus fatores agravantes a participação
crescente de jovens recrutados por organizações criminosas. Esse fenômeno
fortalece o chamado “Estado Paralelo”, que desafia e enfraquece a autoridade do
Estado brasileiro.
É urgente repensar e reformar as políticas públicas
destinadas à juventude. Embora existam instrumentos importantes, como acesso ampliado à educação, programas de
incentivo financeiro aos estudos e maior ingresso no ensino superior, tais
políticas não têm sido suficientes para atrair uma parcela significativa dos
jovens.
Por que muitos ainda não se veem motivados por
essas oportunidades? Por que cresce a violência, inclusive dentro das escolas?
Essas são questões que precisam integrar o debate nacional, caso desejemos
construir uma sociedade mais segura e saudável.
A conclusão da CPI que investiga o CAPS foi
prorrogada por mais 20 dias. Criada no primeiro semestre para apurar denúncias
de irregularidades administrativas, perseguição política e práticas de assédio
moral no âmbito da Administração Municipal (gestão 2021–2024), esta é a segunda
prorrogação dos trabalhos.
A população aguarda respostas claras: o que de fato
ocorreu e quais medidas serão adotadas? O CAPS desempenha um papel fundamental
nas políticas públicas de saúde mental, oferecendo atendimento a pessoas com
transtornos psíquicos. Por isso, não pode sofrer interferências que comprometam
seu funcionamento ou a qualidade do atendimento.
Transparência e responsabilização são essenciais
para restabelecer a confiança no serviço e garantir sua plena atuação.
ISENÇÃO
DO IPVA
O Congresso aprovou o projeto do senador Cleitinho
(Republicanos) que isenta do pagamento do IPVA os veículos com mais de 20 anos
de fabricação. A medida beneficiará principalmente proprietários de Minas
Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e Tocantins, os únicos estados que ainda
cobravam o imposto para veículos antigos.
A proposta corrige desigualdades e cria um
parâmetro nacional. No entanto, o debate sobre o IPVA precisa avançar. Há
grande disparidade nas alíquotas: em Minas, o imposto chega a 4% do valor do
veículo, enquanto em outros estados é de 2%. Com a expansão dos pedágios e das
concessões rodoviárias, a redução do IPVA se torna ainda mais necessária como
forma de compensação ao contribuinte.
Esse é um debate que precisa ganhar força.
IMPOSTO
DE RENDA
Outra boa notícia foi a aprovação da nova faixa de
isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Com a tabela defasada
há anos, milhões de trabalhadores que não deveriam pagar acabaram entrando na
cobrança. A mudança deve beneficiar mais de 15 milhões de brasileiros a partir
de janeiro de 2026.
Ainda assim, é fundamental que o Congresso
estabeleça uma regra de correção anual automática da tabela do IR. Caso
contrário, a defasagem voltará a se acumular e o problema retornará em poucos
anos. Definir uma data-base para a atualização da tabela é essencial para
manter justiça tributária. Espera-se que nossos parlamentares avancem nesse
tema.

